Pesquisar por?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eu Acreditei

             Eu Acreditei


      Enquanto as pessoas aqui denominam  virtual  qualquer sentimento,
      eu sempre acreditei que todos os sentimentos são reais.
      Nunca consegui apenas sentir alguma coisa quando estando on line,
      e depois sair da relação como se sai em  Log Off.
      Eu acreditei em tudo que senti e ouvi.
      Eu acreditei em tudo que me foi prometido.
      Eu acreditei do mesmo jeito que as pessoas acreditam
      nas outras quando estão frente a frente.
      Eu acreditei que meus desejos comuns e naturais iam se realizar.
      Eu acreditei nas horas de carinho, dedicação e candura.

      Eu acreditei na boca que falava e nos dedos que digitavam.
      Eu acreditei em todos os momentos que havia uma sintonia especial.
      Acreditei e relutei até o momento em que percebi que somente EU
      havia feito como minha realidade a  virtualidade que aqui impera.
      Eu acreditei até nas  mentiras sinceras  porque assim as coisas
      poderiam ficar mais humanizáveis, menos constrangedoras.
      Eu acreditei que pessoas mudam, que caráter se modifica,
      que não precisamos de muito para saber viver dentro
      da verdade e com honestidade.
      Basta falar com o coração e deixar os dedos digitarem sinceramente.
      Eu acreditei.
      Eu acreditei  até me ver sem chão.
      Eu acreditei até que percebi que algumas pessoas
      desligam a máquina e se desligam com ela, mudam de programa
      assim como mudam o canal da televisão.
      Tão simples como acionar o controle remoto ... simples demais
      para quem não saca que atrás da máquina tem gente,
      sentimento, esperança, desejos, saudade.
      Parece complicado para essas mesmas pessoas entenderem que
      quando se desliga o monitor, o som e todos os recursos existentes
      para se estar on line, não há como desligar a outra pessoa do outro
lado.
      Não se desligam sentimentos.
      Não se colocam em  stand by  carinhos, afagos e sorrisos.
      Não se eliminam prazeres, alegrias e trocas como se virus fossem.
      Não se apagam da memória detalhes de um amor puro.
      Memória não se formata.
      Eu acreditei e hoje levo meus sentimentos na memória,
      na alma e dentro do meu coração, feito de músculos, veias e sangue
      que circula bombando vida e ainda uma pontinha de esperança
      que do outro lado exista alguém semelhante e não apenas fios ligados
      na voltagem 110/220 watts levando qualquer coisa para qualquer lugar.
      Eu acreditei ... sinceramente, eu acreditei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário